quinta-feira, 21 de junho de 2007

Quando a Ciência se rende ao Sobrenatural

O jornalista Geraldo Menezes Barbosa explora os milagres Maria do Carmo em novo livro

A vinda do Papa ao Brasil confirmou, através de pesquisas motivadas pela visita, que o país ainda é em sua maioria católico. A formação do povo brasileiro se deve à religião que ao mesmo tempo que prega a caridade e a misericórdia, castiga seus “filhos desobedientes” - como aqueles que afirmam serem iluminados. Não raro, porém, alguns desses filhos conquistam o carinho e a atenção de outros católicos, estimulados pela impossibilidade de dúvida quanto a seus atos e pela humildade com que convivem com seu “presente divino”.

Maria do Carmo é uma dessas pessoas. Mulher franzina, da voz de criança, cabelos pretos e olhos serenos, ela não alardeava, mas era dotada de um dom raro: com uma visão privilegiada, atravessa o corpo do visitante e descobre, como um Raio X, doenças da alma e do corpo. Em Juazeiro do Norte, sua terra natal, a mulher começou a ser conhecida no final da década de 50, história agora imortalizada no livro “A um Sopro do Infinito”, do jornalista e dentista Geraldo Menezes Barbosa, que acompanhou, durante mais de duas décadas, os eventos sobrenaturais provocados pela mulher semi-analfabeta. O livro será lançado hoje às 19h30, no Centro Cultural Oboé. Antes da sua apresentação, Samira Denoá abrirá a noite com seu canto lírico, e logo após o maestro Gladson Carvalho fará seu concerto.

A mando do “Pai do Céu”

O primeiro contato do dentista Barbosa com a mulher de voz infantil foi no próprio consultório. Ela o procurou, a mando do “Pai do Céu”, para a extração de alguns dentes. Passada a impressão inicial, de incredulidade, o dentista a observou melhor, e o efeito foi tamanho sobre ele - e não só, sua secretária e sua filha Solange também ficaram abismadas - que ele não parou um só minuto de pensar nela. “Quando vi aquela mulher falar sobre temas bíblicos, uma mulher semi-analfabeta, que vinha da roça, falar sobre Tomas de Aquino, achei uma coisa muito estranha”, lembra.

A iniciatava de procurar a mulher talvez não tenha sido de todo estranha. Juazeiro do Norte é uma cidade diferente, cheia de religiosidade, de misticismo. Foi ali que o jovem Geraldo cresceu, junto de outro elemento que o marcaria por toda a vida: o jornalismo. O pai era dono do jornal “Joazeiro do Cariri”. Quando foi estudante manteve a verve jornalística, até hoje praticada na Rádio Progresso de Juazeiro.

E com essa curiosidade, Barbosa acompanhou Maria do Carmo. Ao longo dos anos, ela conquistou diferentes tipos sociais, do mais humilde ao da mais alta posição social. Milhares de pessoas foram consultadas por ela, que obedecia a um cotidiano rígido: todos os dias, até às 18h, fazia suas receitas. Depois, era momento de suas orações. Inúmeras vezes Barbosa sentaria a seu lado, escrevendo nomes de remédios. “Ela não sabia nem ler nem escrever, e receitava na hora. Eu perguntava: ‘Maria, como é que você sabe?’. Ela respondia: ‘Está vindo, doutor, está vindo uma irradiação do Pai do Céu’”, relembra.

A polêmica não abala o autor, que, apesar disso, tomou algumas precauções. Como escrever em terceira pessoa, por exemplo. “Se eu fizesse como biografia, eu pareceria um fanático, um comprometido com aquela história. E hoje, toda vez que se fala em sagrado, há aquele temor de uma parte e aquela crítica severa de outra”. A idéia, no entanto, era a de se valer da credibilidade como cientista para abrir a discussão sobre o que é ficção, o que é fato na vida dessa mulher. “Uma grande oportunidade de descobrir se nós temos um espírito é através dos contatos de pessoas que aparecem naquela sobrenaturalidade, como Maria do Caro”, afirma. “Esse livro vai suscitar muitos comentários, exatamente por aqueles que ainda se sentem insensíveis a essa transcendência”, espera o autor.

LIVRO: Realce 2007 - 1250 páginas - R$ 20. "A um Sopro de Infinito", de Geraldo Menezes Barbosa

Serviço:
Lançamento do livro ´A um Sopro do Infinito´, de Geraldo Menezes Barbosa, no Centro Cultural Oboé, hoje, às 19h30. No lançamento, apresentação da cantora lírica Samira Denoá e do maestro Gladson Carvalho. Rua Maria Tomásia, 531. Mais informações: (85) 3264.7038

Fonte


Exorcismo: a realidade mais perto do que você imagina

A luta do bem contra o mal é um assunto que sempre esteve presente na vida do Homem. E a expulsão do mal, representado pelo demônio, tem causado muita discussão do ponto de vista religioso. Só a palavra exorcismo já denota um ar sobrenatural, de terror. Na prática, o exorcismo é o ato de expulsar, ou repelir os demônios ou espíritos malignos que estejam em pessoas, lugares ou coisas.
Várias filmes baseados em histórias reais aguçam a imaginação popular quanto ao desconhecido. Um deles é “O exorcismo de Emily Rose”, que relata a história de uma menina americana que teve seu exorcismo gravado. O principal questionamento é se havia a possessão por forças demoníacas, ou se a menina estaria doente e abandonou o tratamento médico que poderia salvá-la.
Apesar dos avanços da ciência para os 'males espirituais', o exorcismo acontece ainda hoje. Um dos conhecedores do assunto é o padre xaveriano Giovanni Mezzadri, responsável pela Paróquia Santana, de Laranjeiras do Sul. Há 25 anos, ele começou a atuar na expulsão de demônios. Apesar de não ser o exorcista oficial da Diocese de Guarapuava, ele já resolveu quatro casos em um ano e meio, nas cidades vizinhas. “Acredito porque vi. Em alguns casos mais graves e difíceis, pedi a permissão do Bispo e outras vezes solicitei ajuda a dois padres exorcistas, de Prudentópolis”, relata.
De acordo com Mezzadri, existem sinais que o sacerdote com um pouco de experiência consegue detectar para distinguir quando o caso é possessão ou problema de saúde. O sintoma mais significativo é a aversão ao sagrado: Bíblia, terços, medalhas, água benta, velas, relíquias bentas de santos e sobretudo a missa e a Eucaristia são rejeitados. Para ele, também é possível identificar a possessão através da demonstração de força descomunal, arrotos, ataques de sono e vômito de objetos estranhos como cabelos, pregos e pedaços de vidros. “Como o exorcismo não serve quando a pessoa é doente, também a medicina não resolve quando a pessoa está possuída pelo demônio”, defende o padre.

Ocultismo
As manifestações frequentes e ação extraordinária da possessão, conforme o padre, acontecem para que os homens percebam que o demônio existe. Na sua opinião, os cristãos devem fugir das práticas de ocultismo, magia, superstições, “brincadeiras do copo” e feitiçaria, que movimentam bilhões de reais, diminuindo a fé. “Este tipo de atitude é a porta de entrada para o demônio”, prega. O assunto, segundo ele, deve ser tratado com o máximo de discrição para evitar a mídia para Satanás.

Culto
O pastor da igreja Assembléia de Deus, Dario de Oliveira França afirma que o poder da expulsão do demônio não é específico para uma ou duas pessoas, mas para todos os que crêem no nome de Jesus. A Assembléia de Deus não tem a prática de fazer exorcismo, mas de pregar o Evangelho, e junto com a pregação, a libertação. “Oramos pelas pessoas. Se existe demônio e se ele se manifestar, será expulso em nome de Jesus”. Na sua avaliação, os cultos realizados especificamente para a expulsão do demônio fogem às regras bíblicas. “Não nos reunimos para expulsar demônios, mas para cultuar a Deus. Somente Ele merece ser cultuado”.

Ciência
A ciência não acata a teoria espiritual que envolve a possessão e o exorcismo. Na psicologia e psiquiatria seriam transtornos mentais graves as manifestações em que a pessoa apresenta agressividade, alteração da voz e amnésia temporária. “Estas situações são geradas por crises baseadas em transtornos mentais como esquizofrenia e psicoses”, avalia o psicólogo Fernando Barcellos.
Segundo ele, a doença não não surge de um momento para outro, mas desde a infância. “A família deve procurar atendimento médico”, recomenda. “A pessoa em uma crise desta, precisa de avaliação psiquiátrica e uso de medicamentos para que seja acalmada e possa voltar à realidade. Na maioria das vezes é necessária a internação”. Entender o motivo da crise, também é uma questão recomendada à família, já que não existe um tempo determinado para o tratamento.
Do ponto de vista da psiquiatria, as crises agressivas onde a força da pessoa se 'duplica', na verdade seriam uma concentração da energia. “Ela não fica mais forte, mas utiliza toda sua força muscular. Às vezes precisa contenção e o auxílio da Polícia Militar e uso de camisa de força”. Conforme Barcellos, este tipo de situação é comum.

PS.
Só quem já passou por isso ou conhece alguém que tenha tido um 'problema' desses é que sabe o quanto esses tratamentos psicológicos e psiquiátricos são ineficazes e ineficientes.
É como o padre disse, "Assim como a religião não cura doenças, a ciência não pode curar o espírito."

Fonte

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Manuscrito de Newton traz data do apocalipse

Imagens divulgadas hoje pela Biblioteca Nacional de Israel mostram três manuscritos atribuídos a Isaac Newton nos quais ele calcula a data aproximada do apocalipse. O material traz também detalhes precisos de um antigo templo em Jerusalém e interpreta passagens da Bíblia.

Os documentos, exibidos nesta semana pela primeira vez, expõem o lado religioso pouco conhecido de um dos maiores cientistas da história. Newton, que morreu há 280 anos, é conhecido por seus trabalhos fundamentais da física moderna, astronomia e matemática.

Em um dos manuscritos, datado do começo do século XVIII, Newton, por meio dos textos bíblicos do Livro de Daniel, chega à conclusão de que o mundo deve acabar por volta do ano de 2060. "Ele pode acabar além desta data, mas não há razão para acabar antes", escreveu.

Em outro documento, o cientista interpreta as profecias bíblicas que contam sobre o retorno dos judeus à terra prometida antes do final do mundo. Segundo ele, se verá "a ruína das nações más, o fim do choro e de todos os problemas, e o retorno dos judeus ao seu próspero reino".

Uma das curadoras da exposição, Yemima Ben-Menahem, diz que os papéis de Newton complicam a idéia de que a ciência é exatamente oposta à religião. "Estes documentos mostram um cientista guiado por um fervor religioso, por um desejo de ver as ações de Deus guiando o mundo", disse.

Os manuscritos, comprados da Inglaterra em 1936, estão na Livraria Nacional desde 1969.

Michelson Borges

terça-feira, 12 de junho de 2007

Fé, Razão e História da Terra

Essa obra é caracterizada pela abrangência dos temas, a qualidade das informações, bem como o espírito despretensioso e verdadeiramente imparcial, o que a coloca como uma das melhores contribuições àqueles que, sinceramente, se interessam pela associação coerente e sustentável entre os conhecimentos científico, filosófico e religioso.

As instituições de ensino e pesquisa no mundo, e particularmente no Brasil, carecem de literatura como essa, em que as questões ligadas às origens (campo das ciências naturais) sejam abordadas de maneira ampla, honesta e isenta.

Leonard Brand elaborou esse excelente livro fundamentado em pesquisas científicas pessoais (meticulosamente desenvolvidas), em sua experiência como docente e na utilização de informações pertinentes, oriundas de textos criteriosamente selecionados.

A utilização de boa didática e ilustrações apropriadas favorece uma leitura agradável, elucidativa e acessível, tanto àqueles iniciados, como aos mais experientes nos temas ligados ao confronto entre ciência e religião ou à controvérsia Criacionismo versus Evolucionismo. O autor considera mais apropriado utilizar o termo “Intervencionismo Informado” em substituição ao “Criacionismo”.

Questões filosóficas, teológicas e científicas são expostas com habilidade e de maneira interligada, o que é fundamental quando se busca compreender eventos pretéritos, em que os limites da própria ciência são ultrapassados.

É interessante notar, como se pode verificar em muitos dos livros congêneres, a ênfase dada aos conhecimentos pertinentes à geologia, sendo que a maioria dos correspondentes autores, como Brand, desenvolveram suas carreiras universitárias no campo das ciências biológicas. Dentre os possíveis motivos para o referido destaque, mencionam-se pelo menos dois:

1. No confronto entre o Criacionismo e o Evolucionismo a natureza dos fósseis (paleontologia) e a datação radiométrica (tempo geológico) assumem papel relevante. Se, por um lado, o estudo do registro fóssil pertence a uma interface entre a biologia e a geologia, por outro, a geocronologia padrão é assunto exclusivo da geologia;

2. Importantes evidências científicas do Criacionismo encontram-se na geologia. O autor – biólogo criacionista – evidentemente explora muito bem essa realidade, dedicando quatro capítulos aos temas geológicos e significativas partes de outros à paleontologia.

Uma interessante estratégia é ainda adotada por Leonard Brand ao interpretar os dados, fatos ou fenômenos naturais. As informações daí advindas são subdivididas em três categorias, correspondendo às evidências: (a) favoráveis ao Criacionismo; (b) neutras; (c) úteis ao Evolucionismo.

No entanto, os critérios subjetivos, adotados para a referida classificação são passíveis de questionamentos, especialmente quando se procura, sistematicamente, contrabalançar as evidências a favor do Criacionismo com aquelas favoráveis ao Evolucionismo. Tal postura, provavelmente, reflita uma tentativa de se diferenciar de um criacionismo radical e ufanista (muito comum no país do autor) que, em muitos casos, dificulta um diálogo honesto e respeitoso com cientistas evolucionistas.

Pelo seu rico conteúdo, esse livro certamente constitui uma importante referência aos interessados e estudiosos dos temas ligados às ciências das origens. No entanto, esse expressivo potencial poderia ser melhor explorado se o autor tivesse dedicado um espaço mais amplo (maior diversidade de termos) para o índice remissivo.

Fé, Razão e História da Terra – um dos poucos livros do gênero, escrito por um cientista honesto e criterioso – que se pode recomendar tanto aos estudiosos do Criacionismo como àqueles pesquisadores evolucionistas que ainda resistem em conhecer o outro lado.

(Dr. Nahor Neves de Souza Júnior, geólogo com doutorado em Geotecnia pela USP e professor de Ciência e Religião no Unasp, Campus Engenheiro Coelho, SP)

Como conseguir o livro



segunda-feira, 11 de junho de 2007

Bruxas Modernas


Esqueça as piaçavas. As bruxas de hoje não voam pelos céus montadas em vassouras para encontrar suas companheiras de magia - elas mandam e-mails, enviam mensagens pelo MSN, deixam recados no Orkut. Feiticeiras modernas também não se reúnem às escondidas no breu das florestas. A 3ª Conferência de Wicca & Espiritualidade da Deusa, que pretende atrair de 600 a 800 praticantes e simpatizantes, em junho, acontecerá em um hotel no centro de São Paulo. A escritora inglesa Janet Farrar, autora de A bíblia das bruxas, já confirmou presença e será o grande destaque entre os palestrantes. "É o maior evento da wicca na América Latina", garante Claudiney Prieto, idealizador do encontro e autor de oito livros sobre o tema, entre eles Wicca - a religião da deusa, que está na 12a edição e já vendeu mais de 30 mil exemplares.

Fundada nos preceitos do antigo paganismo, a wicca, também chamada de bruxaria moderna, é considerada por seus adeptos uma religião. Ela se baseia no culto à natureza e à deusa-mãe, uma divindade feminina que seria a responsável pela criação de tudo na Terra. Livres da ameaça de arderem em fogueiras, as feiticeiras da atualidade podem ostentar sem medo seus pentagramas, o símbolo dos bruxos. Uma pesquisa da Universidade da Cidade de Nova York, de 2001, apontou que a wicca, com 134 mil adeptos, era a religião que crescia mais rapidamente nos Estados Unidos. No site de relacionamentos Orkut existem 875 comunidades em português relacionadas à wicca. A maior delas, denominada Sociedade Wicca/Bruxaria, tem mais de 25 mil integrantes. ...

Como todo fenômeno pop que se preze, a bruxaria faz sucesso também no cinema (Harry Potter e o cálice de fogo, o quarto filme da saga, arrecadou mais de US$ 600 milhões no mundo) e na televisão (em séries como Charmed, que durou oito anos, e na nova novela das seis da Globo, Eterna magia, que tem como protagonistas duas irmãs praticantes de wicca). Mas as bruxas parecem não estar muito empolgadas com o súbito interesse global pelo assunto. "A novela deve aumentar o número de pessoas que querem ser bruxas pelo modismo", afirma a bailarina Gleice Lemos Frioli, 28 anos, praticante de wicca há 13.

"Assisti ao primeiro capítulo mais por curiosidade. Não tenho tempo para televisão. Uma bruxa moderna tem de estudar muito e trabalhar mais ainda", explica a secretária e professora de dança do ventre Rose Terra, 41 anos, wiccaniana há 12. Os adeptos se dedicam aos rituais, que não mudaram tanto assim: eles ainda envolvem caldeirões e poções, porém registram esses momentos com suas câmeras digitais. Os principais celebram as luas cheias do ano (os esbats) e as mudanças de estação (os sabbats). Os seguidores podem praticar os ritos sozinhos ou se reunir em covens, os grupos de bruxos que se socializam e fazem encontros coletivos. Para isso, basta uma chamada pelo celular.

(IstoÉ 28/5/2007)