segunda-feira, 11 de junho de 2007

Bruxas Modernas


Esqueça as piaçavas. As bruxas de hoje não voam pelos céus montadas em vassouras para encontrar suas companheiras de magia - elas mandam e-mails, enviam mensagens pelo MSN, deixam recados no Orkut. Feiticeiras modernas também não se reúnem às escondidas no breu das florestas. A 3ª Conferência de Wicca & Espiritualidade da Deusa, que pretende atrair de 600 a 800 praticantes e simpatizantes, em junho, acontecerá em um hotel no centro de São Paulo. A escritora inglesa Janet Farrar, autora de A bíblia das bruxas, já confirmou presença e será o grande destaque entre os palestrantes. "É o maior evento da wicca na América Latina", garante Claudiney Prieto, idealizador do encontro e autor de oito livros sobre o tema, entre eles Wicca - a religião da deusa, que está na 12a edição e já vendeu mais de 30 mil exemplares.

Fundada nos preceitos do antigo paganismo, a wicca, também chamada de bruxaria moderna, é considerada por seus adeptos uma religião. Ela se baseia no culto à natureza e à deusa-mãe, uma divindade feminina que seria a responsável pela criação de tudo na Terra. Livres da ameaça de arderem em fogueiras, as feiticeiras da atualidade podem ostentar sem medo seus pentagramas, o símbolo dos bruxos. Uma pesquisa da Universidade da Cidade de Nova York, de 2001, apontou que a wicca, com 134 mil adeptos, era a religião que crescia mais rapidamente nos Estados Unidos. No site de relacionamentos Orkut existem 875 comunidades em português relacionadas à wicca. A maior delas, denominada Sociedade Wicca/Bruxaria, tem mais de 25 mil integrantes. ...

Como todo fenômeno pop que se preze, a bruxaria faz sucesso também no cinema (Harry Potter e o cálice de fogo, o quarto filme da saga, arrecadou mais de US$ 600 milhões no mundo) e na televisão (em séries como Charmed, que durou oito anos, e na nova novela das seis da Globo, Eterna magia, que tem como protagonistas duas irmãs praticantes de wicca). Mas as bruxas parecem não estar muito empolgadas com o súbito interesse global pelo assunto. "A novela deve aumentar o número de pessoas que querem ser bruxas pelo modismo", afirma a bailarina Gleice Lemos Frioli, 28 anos, praticante de wicca há 13.

"Assisti ao primeiro capítulo mais por curiosidade. Não tenho tempo para televisão. Uma bruxa moderna tem de estudar muito e trabalhar mais ainda", explica a secretária e professora de dança do ventre Rose Terra, 41 anos, wiccaniana há 12. Os adeptos se dedicam aos rituais, que não mudaram tanto assim: eles ainda envolvem caldeirões e poções, porém registram esses momentos com suas câmeras digitais. Os principais celebram as luas cheias do ano (os esbats) e as mudanças de estação (os sabbats). Os seguidores podem praticar os ritos sozinhos ou se reunir em covens, os grupos de bruxos que se socializam e fazem encontros coletivos. Para isso, basta uma chamada pelo celular.

(IstoÉ 28/5/2007)

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